MPSC obtém condenação de mais de 40 anos para cada um dos réus em julgamento no Tribunal do Júri em Indaial
Caso chocante: com a ajuda de um amigo, filho matou o pai, tentou matar a mãe - que sobreviveu e depôs a portas fechadas no Fórum da cidade.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) obteve a condenação de dois réus a 41 anos de prisão cada um, em julgamento realizado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Indaial. O Promotor de Justiça Thiago Ferla conduziu a acusação em uma sessão que se estendeu por mais de 20 horas, garantindo a responsabilização penal em um dos crimes mais graves já julgados na região.
Um dos condenados, filho das vítimas, foi considerado culpado por assassinar o próprio pai a facadas e tentar matar a mãe, que sobreviveu após sofrer mais de 20 golpes. A mãe prestou depoimento a portas fechadas, em respeito à gravidade dos fatos e à sua condição como sobrevivente do crime. Ele foi condenado a 25 anos e 4 meses de reclusão pelo homicídio qualificado, 16 anos e 10 meses pela tentativa de homicídio qualificado e 1 ano e 4 meses por corrupção de menores, totalizando 43 anos, 6 meses e 20 dias.
O outro réu, companheiro no crime, foi sentenciado a 24 anos de reclusão pelo homicídio qualificado consumado, 16 anos pela tentativa de homicídio qualificado e 1 ano e 4 meses por corrupção de menores majorada, totalizando 41 anos e 4 meses.
Crimes e qualificadoras
De acordo com a denúncia, os dois planejaram e executaram os ataques de forma premeditada, movidos por motivo torpe, com emprego de meio cruel e que dificultou a defesa das vítimas, que foram surpreendidas durante madrugada enquanto dormiam. Os agentes estavam armados, cada um com uma faca. O pai foi morto com pelo menos 17 golpes, enquanto a mãe sobreviveu graças ao socorro médico. O filho das vítimas ofereceu dinheiro e um veículo ao amigo para que ele o ajudasse a matar os pais.
O caso ainda envolveu a participação de uma adolescente, namorada do amigo do réu, o que configurou também o crime de corrupção de menores.
Motivação
Um dos fatores que motivou o crime foi a antecipação da herança, para que os réus pudessem comprar um terreno para o plantio e cultivo de droga.
Posição do Ministério Público
Para o Promotor de Justiça Thiago Ferla, a decisão reforça a importância do trabalho do Ministério Público na defesa da sociedade: "Foram horas de sustentação e análise minuciosa das provas e o resultado representa a resposta firme da Justiça diante da brutalidade dos fatos. O Tribunal do Júri reconheceu todas as teses apresentadas pelo MPSC. Mais uma vez, a comarca de Indaial provou que não tolera comportamentos dessa natureza, aplicando a devida punição aos criminosos".
Os réus deverão iniciar o cumprimento das penas em regime fechado. A decisão ainda é passível de recurso.