''A história do autismo foi e é construída por diversas vozes e perspectivas. Ao longo dos anos, conquistamos direitos e leis para pessoas autistas'', afirmou a secretária parlamentar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, conselheira da Feamas e vice-presidente da Federação das APAEs de Santa Catarina, Janice Krasniak. ''Hoje, em Santa Catarina, temos a Lei nº 17.292/2017, que institui a Política Estadual de Proteção dos Direitos de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Temos também a Lei do Laudo Permanente e a Lei do Atendimento Prioritário, que deve beneficiar cerca de 200 mil autistas. Tudo isso só foi possível devido à mobilização, principalmente das famílias'', destacou Janice. Em seguida, ela convidou ao palco pessoas responsáveis por organizações e instituições que buscam garantir uma vida digna aos cidadãos com TEA.
A psicóloga especialista em neuropsicologia, mestre em Neuropsicologia, Deficiências Cognitivas e Neurociências, Andressa Roveda, demonstrou como a tecnologia pode ser uma aliada humanizada no tratamento e nos cuidados das pessoas autistas. ''Como parte da CogniSigns, posso afirmar que nosso objetivo é utilizar a tecnologia para cuidar, de forma humana, das pessoas com TEA. Em 2019, desenvolvemos a V.E.R.A., uma inteligência artificial que auxilia famílias e cuidadores na obtenção do diagnóstico'', explicou a psicóloga.
O Promotor de Justiça Henrique da Rosa Ziesemer, doutor em Ciência Jurídica e autista, finalizou a tarde de palestras compartilhando sua experiência como pessoa com TEA e apresentando reflexões aos participantes. ''Sou pai autista e minha filha, de 5 anos, não é. Assim, além dos valores e do amor que a família deve transmitir, preciso prepará-la para aquilo que ela encontrará fora de casa. Mas também busco ensiná-la a contribuir para uma sociedade mais inclusiva'', disse. ''Em diversas comarcas de Santa Catarina por onde passei, e foram 12, tive a oportunidade de atuar na área da cidadania. Pude perceber como a falta de conhecimento sobre o autismo se torna um entrave para a criação de políticas públicas eficazes. E isso não se restringe apenas ao autismo, mas a todas as formas de lidar com as diferenças humanas'', ressaltou o Promotor.
Para encerrar, Ziesemer enfatizou: ''É por essa luta que, no dia 2 de abril, celebramos o Dia Mundial da Conscientização sobre os Direitos das Pessoas com Autismo''. Ao fim do seminário, estudantes da AMA emocionaram o público com uma apresentação de dança.